Oportunidade, Vontade e Ponderação.

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Ao longo dos tempos, podemos lamentar da falta de sorte que a vida nos proporciona. Mas isso de um ponto de vista superficial. Será que se analisarmos detalhadamente, pensaremos de igual forma? Ou iremos ver detalhes que possivelmente não iremos querer ver? Pessoalmente, não vejo a falta de sorte como factor número um, para que certas situações não aconteçam. Claro que poderemos utilizar a celebre frase “Não tinha que ser”, para de certa forma, arranjar uma justificação cósmica que justifique uma “quase” situações que nos poderia de facto beneficiar de alguma forma. As vezes caímos no erro de não ver as oportunidades que a vida nos dá. E arrependemos posteriormente das opções que tomamos e dos caminhos que escolhemos. Porque se calhar é escolhido o caminho mais fácil. Porque provavelmente não tivemos a vontade de saber analisar melhor e esperar bem pelo desenrolar dos acontecimentos. Por isso não podemos deixar que a opinião alheia nos condicione ou influencie. Tal como não podemos deixar que a nossa impulsividade e vontade e desejo nos façam tomar decisões precipitadas. Por isso mais vale ponderar com todo o cuidado e delicadeza que a situação nos remete, do que arrependermos à posteriori, e durante muitos e bons anos, de uma oportunidade de ouro, só porque não tivemos a vontade de actuar, esperar ou de deixar fluir naturalmente como deve ser. A decisão final deverá sempre ser, nossa e só nossa. E nada deverá igualmente instalar-se no meio do nosso caminho, como um alto muro que nos impede de ver. O caminho entre a nossa pessoa e determinada situação, dever ser muito claro e visível. E a caminhada deve mesmo ser em câmara lenta. Porque com a clareza e devagar, se toma a melhor decisão de todas elas. E temos de ser pragmáticos e objectivos. Afinal se conjugarmos a vontade e ponderação em relação à uma oportunidade, não serão as nossas chances melhores do que se deixarmos que a impulsividade e a visão turva se imponha no nosso caminho ?

Espírito do Bem.

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Escrevo estas linhas, pouco antes do Natal. Bem que poderia ter sido pouco depois do Carnaval, ou durante o Domingo de Páscoa. O Espírito do Bem que todos queremos revelar, obter ou cultivar, não possui uma linha de tempo definida. Ou seja, não há dia nem horário para sermos e praticarmos o Bem. Todos os 365 dias do ano são válidos. Quem faz o Bem, não descansa, não tira folgas, nem pede ou quer parar. Não é por ser Natal que temos de ser mais e melhor. É ser mais e melhor todos os dias. Faça chuva ou faça sol. Quer vejas ou não o sofrimento noutra pessoa. O voluntarismo do espírito é assim mesmo. Estas sempre disponível. Sempre Presente. É isso que faz o espírito do Bem ser algo tão notável e extraordinário. Não é por ser Natal que temos de estar mais sensíveis. Aqueles que não possuem esse espírito, e que fazem nascer ou renascer o mesmo, neste período, façam um favor: Levem este espírito para além do Ano Novo. Para além da Páscoa. Para além do Verão. Façam deste espírito o vosso companheiro inseparável a vossa visão de vida do Mundo, e pratiquem o Bem com toda a solidariedade, carinho e atenção. Porque ser Bom, não pode ser só para a fotografia. Tem de ser mesmo quando ninguém está a ver. E mesmo quando ninguém vê, é igualmente recompensante. Não te afundes em presentes e comida. Mergulha sim, na partilha. Vai nadar bem forte por entre os sentimentos bons que nos unem nestes tempos. Quando deres por isso, estás a ter o espírito do Natal, que é o espírito de Bem que todos deveremos ter e fazer por ter, todos os dias. Com um sorriso enorme nos lábios. Com a sensação de dever humano realizado. Porque todos somos Humanos. Mas há Humanos que são mais ligados ao Bem que outros. Não lutes contra os que não são pelo Bem. Ilumina-te para que a Luz se reflicta neles e talvez abram os olhos. Mas acima de tudo, sê o espírito que tanto queres ser, ou queres manter ou desejas transmitir. Tu sabes que é o único caminho. O melhor caminho. O caminho de Paz, Fraternidade e Amor.

Ela era tudo aquilo que não lhe diziam.

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Ela era um espírito livre. Daqueles espíritos puros que encantam com o seu sorriso. Mas espíritos desses não são para este mundo. Ela podia bater mil e uma vezes com a cabeça na grande parede que é a vida, mas duramente ela não aprendia. Ela não mudava. Mas para que mudar um espírito livre quando ela é que é a pureza de pessoa e o mundo é o cinzentismo que se conhece ? Não fazia sentido na mente dela. Nem daqueles que sabiam o valor e raridade que ela representava com a sua personalidade. Ela poderia embater violentamente na frieza da realidade, mas encontrava sempre forma de sobreviver. De renascer. De respirar outra vez. De ter outro fôlego. Como podem decepcionar alguém que sobrevive assim ? Não faz sentido algum. Não era uma queda de quarenta metros da profundidade dos sentimentos que a dizimava. Não era um atropelamento emocional que a desviava do seu caminho. Nem o esmagamento brutal das emoções fortes não correspondidas. Porque ela era e é, invulgar. Invulgar na abordagem da Vida. Invulgar no seu doce sentir de todas os detalhes que o Mundo nos proporciona. Invulgar por saber escutar o Universo e não deixar-se seguir como uma mera peça de uma enorme máquina. Quem sobrevive assim, é lutadora. Quem vive com todo o peso, e continua a avançar com um sorriso, com uma palavra amiga e com uma Luz que ilumina todos, só pode ser uma pessoa fora do comum e com uma energia única e bela. Confundem a sua teimosia com petulância. Não vêem que a sua força é a marca mais visível da sua robustez. Ela bateu tantas vezes no fundo, que tratava esse fundo por “tu”. Mas com o empenho, a aplicação, dedicação e uma enorme vetustez, ela conseguiu o que a muitos parecia impossível. Ultrapassar os limites e olhar nos olhos dos sonhos que imaginava na sua mente. Porque a sua força interior era a sua maior qualidade. Porque a crença mesmo na dor e no sofrimento era o que a fazia arrancar para a frente. Porque nem os maiores pesadelos iriam ser muros ou barreiras. Porque nem o pior dos cenários seria o travão da sua alma. Ela era e é, o mais belo espírito puro. E mesmo assim, ela conseguiu ser ainda mais do que é. Mesmo que não reconheça, mesmo que a humildade não lhe faça ver. Mas só quem tem olhos de ver consegue ver este tipo de espíritos. E que bem faria se todos tivéssemos olhos para ver, reconhecer, apreciar e valorizar. Só teríamos a ganhar. Sempre.

Arrependimento da Bondade

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Todos temos momentos em que nos arrependemos. Das palavras que não dissemos. Do beijo que não demos. Do acto que não concretizamos. Do abraço que podiamos ter dado. Tantas forma de arrependimento. Mas não podemos deixar que o arrependimento tome conta de nós. Que nos faça sentir menos ou mais pesados por não termos feito em muitos casos, aquilo que deveria ter mesmo sido feito. O único arrependimento verdadeiro que deveremos ter, é quando por um instante de falta de sintonia, por uma conjugação de factores díficil de existir, temos uma atitude menos boa em relação a algo ou alguém. Se nós queremos seguir o caminho do bem, da verdade e da Luz, não faz sentido essa atitude, esse acto de negativo que contamina a alma. Não é por termos tido esse acto que deixamos de ser bons. Deixamos de ser bons é quando não reconhecemos esse acto e nada fazemos para atenuar e reverter essa situação menos positiva. Não deveremos lamentar, chorar ou puxar o nosso espírito para baixo. Temos é de redobrar a prática do bem. De aprender com a lição. De fazer com a nossa bondade inunde outros corações. De fazer com que o nosso coração se superiorize a tudo aquilo que pode fazer com que não seja tão bom no seu sentimento. Arrependimento da Bondade é isso mesmo. É estarmos arrependidos, mas termos uma atitude superior na abordagem da situação. É deixar que o arrependimento nos melhore, que limpe a nossa alma mas que faça com que os nossos actos consequentes sejam mais nobres, mais dignos e mais puros. Porque ninguém é imune ao erro. Mas porque acima de tudo ninguém deverá ser imune para fazer de um erro, uma lição. De um erro, uma aprendizagem de bem. De um erro, a elevação da nossa consciência e coração.